É preciso construir um olhar crítico e consciente sobre a educação global transformadora

É preciso construir um olhar crítico e consciente sobre a educação global transformadora

Felipe Goldschmidt*

 

Confesso que quando surgiu a ideia de escrever um artigo sobre a educação global transformadora, fiquei tentado em consultar o ChatGPT em busca de ideias criativas, que saíssem do comum, para me inspirar. Pensei, faço isso e depois completo com alguns toques pessoais. Pensei, provavelmente, recursos de textos de Inteligência Artificial devem reunir um infinito de informações sobre o tema que estava buscando. 

Enfim, não resisti ao “envie sua mensagem” e para para minha surpresa, o resultado trazia vários aspectos sobre educação globalizada e transformadora que gostaria de contar. Tudo muito bem estruturado em um contexto bem original, sem parecer mecânico ou programado. Um resultado excepcional e em poucos segundos.

O exercício de conversar com o computador, ou com uma ferramenta, deixou uma coisa muito clara. Não temos a mínima ideia da capacidade da tecnologia e de onde ela irá nos levar nos próximos anos. E nesse caminho a ser percorrido está o setor educacional assumindo um papel bastante arriscado: o de preparar nossas crianças para um futuro cada vez mais difícil de se prever. E é nossa tarefa, como  educadores, buscar um total entendimento da influência da globalização nas práticas educacionais e na reformulação de seus conteúdos e de como eles podem impactar. 

Desde o começo do sistema escolar universal, as melhores escolas seguem uma linha intransigente de formar alunos para as melhores universidades. Elabora uma preparação rígida para conseguir os melhores resultados acadêmicos para um sucesso na vida profissional. Obviamente, muitas crianças ficam pelo caminho por inúmeras questões, mas parece que é o preço a pagar pela excelência acadêmica.

Poucas coisas mudaram nas escolas durante os últimos 100 anos. Porém, o mundo de hoje seria irreconhecível para um morador de São Paulo de 1920. Não podemos abrir mão das nossas tradições e conhecimentos fundamentais. Não obstante, é imprescindível preparar os alunos para amanhã.

Na minha conversa com o ChatGPT tive uma sensação de que existe uma grande diferença entre a inteligência dela e a minha: a criatividade. Nós humanos somos ainda mais inteligentes e possuímos a capacidade de adaptação. Somos seres pensantes e um dos principais papéis das escolas hoje em dia é o de não apagar a criatividade das crianças. Nascemos criativos e com o passar dos anos, nossa criatividade é substituída por automatismos. A criatividade é fundamental para ajudar a resolver os desafios do nosso século. Sem ela, daríamos voltas em círculos constantemente.

Outro aspecto fundamental para enfrentar o desconhecido é construir um olhar crítico e consciente. Os jovens não têm escapatória, deixamos o mundo numa rua sem saída. Eles serão os responsáveis em inventar uma nova maneira de continuar existindo. A unanimidade da comunidade científica é clara: mudar a nossa maneira de utilizar os recursos naturais é uma condição sine qua non para não acabar com o nosso ecossistema. 

Nós, atores da educação, temos a responsabilidade de colocar o nosso grão de areia. Como dizia o médico e biólogo Jonas Salk: “Se todos os insetos desaparecessem da Terra, dentro de 50 anos toda a vida na Terra acabaria. Se todos os seres humanos desaparecerem da Terra, dentro de 50 anos todas as formas de vida iriam florescer.”

Temos a responsabilidade de despertar nos nossos alunos a vontade de ser líderes transformadores. Para isso, temos que ajudá-los a encontrar o seu elemento. Através de experiências em que errar é crescer e criar é existir, procuramos estímulos em que cada criança possa desenvolver sua própria inteligência. Cada aluno é fundamental porque cada um de nós faz parte da solução. 

 

*Felipe Goldschmidt é Coordenador do Programa B.E. (Bachillerato España), um projeto inovador espanhol plurilingue de complementação curricular

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